Olá! Depois de muito tempo sem nenhum tempo pra escrever, estou eu aqui de volta trazendo um texto bem interessante sobre o bambu e a sabedoria oriental retirado do jornal o Povo. O texto é de Luciano Melo.
Próximas semanas estarei postando novos textos.
Abraço.
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A sabedoria do bambu
Luciano Melo
27 Nov 2009 - 23h12min
Um velho monge, cansado de ver seu mosteiro saqueado por vândalos, resolveu criar uma forma de defesa que o tornasse menos vulnerável aos ataques constantes dos saqueadores. Enquanto meditava silenciosamente, contemplando uma tempestade de neve que assolava o vale, observou um poderoso carvalho, com aproximadamente um século de vida, ser desenraizado e jogado ao chão, quase como se fosse um galho seco arrancado à mão.
Enquanto isso, mais à frente, brotos oblíquos de bambu levemente curvados permaneciam firmes e enraizados diante tamanha demonstração de força da natureza. Tal fato chamou prontamente sua atenção: como poderia uma árvore daquele porte cair por terra, e uma planta aparentemente tão frágil permanecer intacta? Para a sua surpresa, a resposta surgiu inesperadamente quando ele resolveu observar de perto as características de cada uma das plantas.
Percebeu que o bambu, ao contrário dos “grandes carvalhos”, que caem e quebram diante da tempestade, é vazio por dentro, e é exatamente na flexibilidade desse vazio que reside a sua grande fortaleza. Diante dessa observação, surgiu todo o conceito das milenares artes marciais do oriente, que trazem no vazio da mente e na flexibilidade do corpo, todo o seu poder de ação, utilizando-se da força e rigidez dos oponentes contra eles mesmos. No artigo de hoje, iremos nos apropriar dessa sabedoria e aprender a conviver com as “tempestades” do mundo moderno com mais firmeza e enraizamento.
Frequentemente, diante das “tempestades da vida”, optamos por fugir, ou reagimos com uma força excessiva e desproporcional, tornando-nos vulneráveis aos impactos oriundos desse confronto. De acordo com as leis da física, onde existe impacto, existe atrito, e quanto maior for o atrito existente, maior será a possibilidade de quebra. Vale lembrar que mesmo os diamantes mais duros, de tanto se atritarem com as rochas durante as perfurações, com o passar dos anos, vão se desgastando, até que um dia, de tão gastos, precisam ser substituídos. Já o bambu traz, na suavidade da vida, uma manifestação de profunda sabedoria. Ele se mantém firme e convicto na sua raiz, sem ceder um milímetro sequer naquilo que é vital para a sua existência, já que é dela que retira todos os nutrientes necessários para sobreviver. Assim, permite que os seus brotos dancem ao sabor dos ventos. Quanto mais distantes da sua raiz, mais eles balançam, pois esse movimento não representa nenhum risco para a sua existência. Ao contrário, é o que lhe confere a firmeza para permanecer sendo o que é.
A grande lição que a vida nos possibilita através da sabedoria do bambu é que a flexibilidade não significa abrirmos mão daquilo que intencionamos. Se assim fosse, o bambu não permaneceria de pé após a tempestade. No entanto, ao invés de se confrontar com a tempestade, ele flexibiliza-se sem perder a convicção naquilo que é vital. Portanto, para fortalecermos as nossas convicções, devemos estar vazios de toda e qualquer emoção que possa tirar a soberania das nossas escolhas. Sempre que reagimos de forma intempestiva e impulsiva aos fatos que ocorrem em nossa vida, estamos permitindo que as nossas emoções nos governem e corremos o risco de agirmos como o carvalho, que faz da sua força e rigidez o seu calvário. Ao contrário, a flexibilidade do bambu traz, no vazio, a possibilidade de escolha que permite manifestarmos a nossa decisão de forma livre, sem a dureza tão característica das modernas relações subordinado-chefe.
Façamos da nossa suave firmeza a força necessária para vencermos as tempestades do dia-a-dia. Tenhamos todos uma semana com bastante sustentação e enraizamento e até o próximo domingo.
Enquanto isso, mais à frente, brotos oblíquos de bambu levemente curvados permaneciam firmes e enraizados diante tamanha demonstração de força da natureza. Tal fato chamou prontamente sua atenção: como poderia uma árvore daquele porte cair por terra, e uma planta aparentemente tão frágil permanecer intacta? Para a sua surpresa, a resposta surgiu inesperadamente quando ele resolveu observar de perto as características de cada uma das plantas.
Percebeu que o bambu, ao contrário dos “grandes carvalhos”, que caem e quebram diante da tempestade, é vazio por dentro, e é exatamente na flexibilidade desse vazio que reside a sua grande fortaleza. Diante dessa observação, surgiu todo o conceito das milenares artes marciais do oriente, que trazem no vazio da mente e na flexibilidade do corpo, todo o seu poder de ação, utilizando-se da força e rigidez dos oponentes contra eles mesmos. No artigo de hoje, iremos nos apropriar dessa sabedoria e aprender a conviver com as “tempestades” do mundo moderno com mais firmeza e enraizamento.
Frequentemente, diante das “tempestades da vida”, optamos por fugir, ou reagimos com uma força excessiva e desproporcional, tornando-nos vulneráveis aos impactos oriundos desse confronto. De acordo com as leis da física, onde existe impacto, existe atrito, e quanto maior for o atrito existente, maior será a possibilidade de quebra. Vale lembrar que mesmo os diamantes mais duros, de tanto se atritarem com as rochas durante as perfurações, com o passar dos anos, vão se desgastando, até que um dia, de tão gastos, precisam ser substituídos. Já o bambu traz, na suavidade da vida, uma manifestação de profunda sabedoria. Ele se mantém firme e convicto na sua raiz, sem ceder um milímetro sequer naquilo que é vital para a sua existência, já que é dela que retira todos os nutrientes necessários para sobreviver. Assim, permite que os seus brotos dancem ao sabor dos ventos. Quanto mais distantes da sua raiz, mais eles balançam, pois esse movimento não representa nenhum risco para a sua existência. Ao contrário, é o que lhe confere a firmeza para permanecer sendo o que é.
A grande lição que a vida nos possibilita através da sabedoria do bambu é que a flexibilidade não significa abrirmos mão daquilo que intencionamos. Se assim fosse, o bambu não permaneceria de pé após a tempestade. No entanto, ao invés de se confrontar com a tempestade, ele flexibiliza-se sem perder a convicção naquilo que é vital. Portanto, para fortalecermos as nossas convicções, devemos estar vazios de toda e qualquer emoção que possa tirar a soberania das nossas escolhas. Sempre que reagimos de forma intempestiva e impulsiva aos fatos que ocorrem em nossa vida, estamos permitindo que as nossas emoções nos governem e corremos o risco de agirmos como o carvalho, que faz da sua força e rigidez o seu calvário. Ao contrário, a flexibilidade do bambu traz, no vazio, a possibilidade de escolha que permite manifestarmos a nossa decisão de forma livre, sem a dureza tão característica das modernas relações subordinado-chefe.
Façamos da nossa suave firmeza a força necessária para vencermos as tempestades do dia-a-dia. Tenhamos todos uma semana com bastante sustentação e enraizamento e até o próximo domingo.
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